Pílula do câncer: respostas sobre a suposta “cura” da doença

Entrevistamos o oncologista Dr. Alexandre Chiaripara desmistificar algumas questões sobre a "pílula do câncer da USP"
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Há alguns meses um suposto medicamento milagroso está gerando polêmica no Brasil. A fosfoetanolamina passou a ser tratada recentemente como a "cura para o câncer", mesmo sem ter passado por estudos clínicos apropriados para seu registro definitivo na Anvisa. 


A comercialização da chamada "pílula do câncer da USP" já foi aprovada pela presidente Dilma Rousseff e pacientes com câncer já podem usar a substância por livre escolha, desde que assinem termo de consentimento e responsabilidade.

Mas, em que consiste essa medicação? Para sanar as dúvidas frequentes sobre esse medicamento o Mais Equilíbrio entrevistou o Dr. Alexandre Chiari, oncologista da Oncomed BH. Leia a entrevista na íntegra e tire suas próprias conclusões:

1- O que é a fosfoetanolamina?

A fosfoetanolamina é um composto orgânico (amina primária envolvida na biossíntese de lipídeos) presente naturalmente no organismo de diversos mamíferos, participa da composição estrutural das membranas celulares. 

2- Afinal, quais os efeitos da substância? 

A substância não foi devidamente estudada, não passou pelos testes clínicos que são absolutamente fundamentais para se avaliar a atividade e segurança de uma droga. 

3- A lei não prevê que seja necessária a prescrição da fosfoetanolamina para que o paciente possa usá-la. Então se o uso não depende de receita do médico, quem vai determinar a dosagem? 

A dosagem adequada de um medicamento é avaliado nas fases dos estudos clínicos, e a fosfoetanolamina não foi devidamente submetida a estes estudos. O médico, por razões éticas, só pode prescrever medicamentos absolutamente estudados e com elevada evidência cientifica que respaldem a sua prescrição. 

4- Qual é a diferença entre a pílula e outras medicações em desenvolvimento? 

Existem centenas de moléculas em desenvolvimento na área oncológica, porém todas elas são submetidas a testes clínicos que são definidos como fases de estudo para avaliar toxicidade, segurança, dose máxima, atividade antineoplásica e atividade especifica em determinada neoplasia comparada com o tratamento em vigência. Infelizmente a fosfoetanolamina não foi submetida as fases obrigatórias de testes clínicos. 

5- A fosfoetanolamina serviria como um substituto para outros tratamentos, como a quimioterapia? 

Faz-se fundamental entender que o câncer não é uma doença única, existem centenas de neoplasias malignas completamente diferentes e com tratamentos absolutamente diferentes. Vamos dar o exemplo do câncer de mama, não existe apenas um câncer de mama, a doença é heterogênea e não se trata todos com apenas um medicamento, desta forma seria absolutamente surreal tratar leucemia, glioblastoma multiforme, seminoma, adenocarcinoma gástrico e etc... Todas estas doenças completamente distintas do ponto de vista biológico apenas com uma substância. A fosfoetanolamina, neste momento, não ocupa nenhum espaço dentro do arsenal terapêutico para o tratamento de qualquer câncer, por não existir nível de evidência cientifico para sua inclusão. 

6- Usar fosfoetanolamina é seguro? Quais os riscos?

A ciência não tem como responder estas questões, pois a substância não foi devidamente estudada. A lei número 13.269 de 13/04/2016 sancionada pela presidenta deixa claro que o voluntário para o uso da substância tem que assinar o termo de consentimento e responsabilidade para o uso da fosfoetanolamina.

Por Thamirys Teixeira

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