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A experiência das ecovilas

A experiência das ecovilas

Divulgação

Desde que a preocupação ambiental passou de exagero para urgência, muita gente tem criado jeitos de garantir a preservação do planeta. Prefeituras fazem campanhas, organizações não-governamentais criam projetos especiais e grupos de pessoas engajadas tentam viver em harmonia com a natureza, sem perder a comodidade da modernidade.

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Uma dessas iniciativas ganha espaço nas ecovilas, que são assentamentos onde as atividades do homem se integram inofensivamente ao mundo natural, de forma a ajudar o desenvolvimento sustentável - e até garantir o futuro.

As primeiras ecovilas surgiram na Europa, mais precisamente na Escócia, há pouco mais de dez anos. Antes disso, uma fundação na Dinamarca já trabalhava com a intenção de dar suporte a comunidades que desejam fazer a transição para uma sociedade sustentável. Com o lema "as estrelas podem esperar, mas o planeta não", começaram estudos sobre sustentabilidade global e estratégias para mudanças culturais positivas, como teorias inovadoras, tecnologias apropriadas e conservação dos recursos. Esse estudo, baseado em visitas a comunidades ecologicamente corretas, virou um relatório e depois um livro que hoje norteia um pouco das atividades nessas áreas.

Para Marcelo Bueno, fundador do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (Ipema), não há nada mais difícil, na atualidade, do que encontrar perspectiva de se viver em harmonia com a natureza e com o próximo. "Uma ecovila é um local distinto, seja um vilarejo rural, ou um bairro urbano ou suburbano. Uma cidade não pode ser considerada uma ecovila, mas uma cidade feita de ecovilas poderia se tornar uma comunidade sustentável", explica.

Ele completa dizendo que um assentamento funcionalmente completo é aquele em que as principais funções da vida cotidiana, como moradia, alimentação, manufatura, lazer, vida social e comércio estão integralmente presentes e em proporções balanceadas. Mas isto não significa que a ecovila tenha que ser completamente autossuficiente ou isolada das comunidades vizinhas. Como um ideal, uma ecovila deve oferecer uma quantidade de empregos proporcional às pessoas empregadas que moram na ecovila. Aí, alguns dos residentes podem trabalhar fora da comunidade enquanto empregos ali são preenchidos por não residentes. "Um dos aspectos mais importantes deste princípio é o ideal de igualdade entre os seres humanos e as outras formas de vida, de maneira que humanos não busquem dominar a natureza, mas procurem encontrar o seu espaço dentro dela", afirma Marcelo.

Outro princípio importante pregado nas ecovilas é o uso de materiais e recursos de forma cíclica, ao invés de linear. Ou seja, cavar, manufaturar, usar uma vez e jogar fora para sempre está fora de cogitação. "Isto leva as ecovilas ao uso de fontes de energia renováveis, como solar ou eólica, ao invés de combustíveis fósseis. E também à compostagem de resíduos orgânicos - retornados à terra ao invés de depositados em lixões, incineradores ou plantas de tratamento -, à reciclagem de toda a linha de resíduos, e a evitar produtos tóxicos ou substâncias nocivas", lista.

Nas ecovilas mora um número de pessoas aptas a se adaptar e conhecer umas as outras, além de influenciar os rumos do local. "Existem consideráveis evidências práticas, tanto em sociedades modernas industrializadas como em outras culturas, de que o limite máximo para tal grupo seja em torno de 500 pessoas. Em situações bastante estáveis e isoladas pode se ter um número maior, enquanto que em situações típicas de sociedades modernas industrializadas este número é frequentemente menor, até mesmo menos de 20 pessoas. O importante é que este grupo esteja na busca da sustentabilidade e harmonia com a natureza".

A ecovila se mantém a partir de uma gestão participativa, onde as decisões são tomadas por consenso. "Atualmente, há cada vez mais pessoas desiludidas com as estruturas verticais nas quais uma minoria cheia de poder toma as decisões que concernem a todos. Até o ideal democrático da regra de maioria resulta inadequado já que quase sempre gera uma minoria sem poder. O consenso é o processo de tomada de decisões que melhor sustenta as intenções da ecovila", diz Marcelo.

A comida é um capítulo à parte. Isso porque a produção dos alimentos vai depender muito do clima da região, da habilidade dos moradores e da disponibilidade de tempo para esta função. "Mas todos são orgânicos e se busca não imitar as monoculturas e sim criar plantios consorciados, não utilizar nunca defensivos ou qualquer substância química ou tóxica na produção de alimentos e também em qualquer produto que venham a produzir", detalha.

O Ipema, por exemplo, tem como objetivo ser um exemplo de assentamento sustentável e realiza diversas experiências neste sentido. As tecnologias que empregam vão desde os banheiros compostados e uso de energia renovável, até o emprego de madeiras de reflorestamento, o uso de produtos ecológicos em constrições (como telhas de aparas de tubos de pasta de dentes) e a produção de alimentos orgânicos.

"É basicamente um centro de educação para a vida sustentável, realizando diversos cursos ao longo do ano que abordam temas como planejamento de ecovilas, permacultura, plantios agroflorestais, construção de filtros biológicos e habitações sustentáveis". O Ipema fica em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, em uma área de 600 mil metros quadrados - e recebe visitantes e estagiários o ano todo.

Hoje a Rede Global de Ecovilas tem mais de 15 mil ecovilas cadastradas pelo mundo. No Brasil, há uma rede amadurecendo um processo que já dura vários anos, associada à Rede Global desde 1999.

Vale lembrar que a criação de uma ecovila é algo que não acontece de um dia para outro - e toma tempo. E como tem sido relativamente recente a criação deste movimento, não é possível dizer exatamente quais são os avanços concretos e nem números, dados e estatísticas. Segundo a Rede Brasileira de Ecovilas, existem projetos estruturados e em vias de formação e todas se encontram em diferentes graus de evolução ou desenvolvimento. O site deles lista três na região sudeste (Ecovila Corcovado, Terra Uma e Ceppaxc) e uma na região norte (Abra114). Além disso, há outra no Sul, a Aldeia Arawikay, onde é possível fazer visitas, ficar hospedado, fazer cursos e desenvolver projetos. Mais informações sobre as ecovilas você pode encontrar nos sites www.ipemabrasil.org.br e www.ecovilasbrasil.org.

Por:
Sabrina Passos
MBPress

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